CRIEI UM BLOG PARA REGISTRAR A CONSTRUÇÃO DO ESPETÁCULO "MARILYN".
FOTOS, OBSERVAÇÕES, TEXTOS... DÊ UMA PASSADINHA LÁ.
AINDA FALTA POSTAR MUITO CONTEÚDO, MAS JÁ É POSSÍVEL SENTIR A PEÇA BROTANDO...
espetaculomarilyn.zip.net
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Repetir, repetir, repetir... E depois repetir, repetir, repetir... Testar, testar, testar... E testar, testar, testar... Ensaiar um espetáculo, ainda que um monólogo (erroneamente visto como "mais simples") requer doses colossais de disciplina e paciência. Quando tudo parece se encaixar, você percebe que não é bem aquilo, pode melhorar. Aí surgem novas idéias e nuances. Há mil maneiras de se fazer, qual a escolha correta? Mais dramático, mais minimalista, mais poético, mais hermético? E o cenário? A luz? O figurino? A sonoplastia? A falta de dinheiro para tudo isso! Teatro é paixão mas, antes de tudo, é doação. Só o faz quem ama o ofício. Sorte de quem consegue viver exclusivamente da arte. Ah, transborda-me a inveja...
Eu e a atriz Érica Knapp estamos ensaiando seis vezes por semana — e parece pouco. A peça já tem corpo e agora vai definindo seu espírito.

A reação foi imediata e mundial. Houve quem ficasse chocado com a foto da modelo Liz Miller, de 20 anos, na revista Glamour, em matéria sobre como você enxerga o próprio corpo. A loura foi corajosa ao se mostrar 100% natural, sem efeitos de photoshop. A barriguinha saliente "grita" na imagem. A reportagem ressalta a cegueira da maioria das pessoas, que enxergam o próprio corpo somente pelos olhos dos outros, ou seja, a partir dos padrões absurdos de beleza plástica impostos pela mídia de celebridades e também pela publicidade. Gordurinhas, celulite, estrias, flacidez, nada disso é sinônimo de beleza e "perfeição estética" — mas não pode ser rotulada de defeito grave, como acreditam as mulheres. Tudo bem em passar cremes, se submeter a tratamentos, malhar bastante e até recorrer às plásticas atenuadoras. Porém muitas ultrapassam o limite do bom senso, abraçam a neurose e se transformam em caricaturas femininas. Reparou na quantidade de rostos deformados por aí? Na ânsia de ficar linda, a mulher compulsiva por beleza vira um espectro assustador do que era. Ninguém precisa aceitar passivamente os efeitos do envelhecimento. Mas há de ter bom senso e boa dose de autopreservação, física e emocional.

Tão satisfatório quanto escrever é ver o texto ganhar vida própria por meio de outras pessoas. Érica Knapp, minha atriz-cobaia do monólogo Marilyn (logo conto detalhes dos ensaios), decidiu apresentar em sua aula, na oficina de teatro do grupo Satyros, lá na Praça Roosevelt, uma esquete com o texto O Chamado, do meu livro Fama Ordinária. Reproduzo a íntegra:
O CHAMADO
__ Tenho tempo agora. Quer uma aula adicional?
__ Não, professor. Vim avisá-lo que farei Hamlet.
__ Ótima escolha. Será uma Ofélia vigorosa.
__ Não serei Ofélia.
__ Gertrudes? Não é jovem demais? Será uma caracterização desgastante.
__ Farei Hamlet.
__ Ok, aprovo. Mas qual personagem?
__ Hamlet.
__ Hamlet?
__ Sim.
__ O próprio? O príncipe?
__ Hamlet.
__ Ousadia para uma recém-formada. Um Hamlet de saias...
__ Hamlet, primeiro e único. O pai de todos os Hamlets.
__ Como? Vai usar peruca ou terá coragem de tosar os cabelos?
__ Estou pronta.
__ Hamlet loura de cabelos longos? Será desacreditada. Ninguém vai enxergar um homem.
__ Não serei homem. Serei Hamlet.
__ É um papel masculino, minha jovem Tespis. Sempre foi. Shalespeare o criou homem.
__ Ele é maior do que um gênero sexual.
__ O público vai reagir mal. Os críticos, ah...
__ Sinto decepcioná-lo, professor.
__ Talvez seja somente incômodo. Eu sempre quis fazer Hamlet. Nunca me senti preparado. Ainda não.
__ Agora venho eu, mulher, baixa, angelical, novata, ser Hamlet.
__ Não se brinca com ele.
__ Eu sei.
__ Quer o quê? Mídia, autoafirmação, imolar-se? O que busca em Hamlet?
__ A pergunta é outra: o que ele tanto quer de mim?

Belíssimas imagens nas vinhetas de chamada de Viver a Vida. Ok, todo começo de novela apresenta takes caprichados para despertar a curiosidade dos telespectadores. Mas a equipe do diretor Jayme Monjardim realmente não economizou inspiração e telecnologia para gravar panorâmicas em cidades de Israel, Jordânia, França e no baldeário de Búzios, no Rio. Os críticos atacam: "Novela do Manoel Carlos é sempre igual: as mesmas paisagens e situações da classe média do Leblon e a mesma trilha de MPB e instrumental". A observação é correta. Mas por que um autor (de novela, literatura ou qualquer outra manifestação artística) precisa forjar novidade a cada trabalho? Não se pode manter fiel ao estilo desenvolvido?
Eu gosto das tramas "manoelinas". Ele cria diálogos preciosos e constrói personagens femininas com delicadeza ímpar. Além do mais, o título — Viver a Vida — é tão óbvio que soa novidade. Afinal, desaprendemos a consumir/aproveitar o melhor da vida. As neuroses da atualidade fizeram com que a gente apenas finja vivê-la, ou a viva superficialmente.

Realmente muito boa a participação de Maitê Proença em Caminho das Índias. Uma interpretação contida, sem afetações, no ponto exato. Havia muitos anos a atriz não ganhava um papel interessante. Tropeçou em papéis pretensamente cômicos ou foi escalada para viver peruas vazias. Na pele da sensível e insegura Nanda, mostrou que está em ótima forma (ok, a beleza também ajuda). No Saia Justa (GNT), Maitê às vezes se envolve em discussões egocêntricas, mas ainda assim é prazeroso vê-la discorrer sobre os mais variados assuntos.

O Jornal Nacional não é um telejornal de incontestável excelência. Mesmo assim, há motivos para se comemorar as quatro décadas do noticiário. Falta aprofundamento (e a participação de comentaristas especializados, como nos tjs americanos) na repercussão das notícias do dia a dia. Mas quando o JN investe nas séries de reportagem o telespectador recebe um panorama precioso da imensidão sociocultural desse país gigantesco. Apesar de William Bonner e Fátima Bernardes serem os rostos mais conhecidos do telejornalismo brasileiro, sabemos pouco de suas opiniões, ao contrário do que acontece com os apresentadores-âncoras dos jornalísticos de outros países, mais participativos — a exceção por aqui é Boris Casoy, que já pagou um preço alto por se expor e contrariar interesses diversos, inclusive governamentais.
Ao testemunharmos, incrédulos, o cerceamento da imprensa na Venezuela do ditador Hugo Chaves e no Equador do aprendiz de ditador Rafael Correa, percebemos que a democracia verde-amarela é mais sólida do que a dos vizinhos. É óbvio que, atrás das câmeras, rolam pressões e acordos entre os "donos do poder" e a cúpula do governo. Porém a liberdade de imprensa ainda tem sido respeitada. E que o seja amanhã e sempre.

Aí está a capa do livro escrito por William Bonner, com revelações de como é feito o maior telejornal do país. O conteúdo deve ser interessantíssimo. Merecia uma capa melhor. A foto não é expressiva. Bonner parece desconfortável, terno "estufado" no peito e "desnivelado" em relação a Fátima. Nem tudo pode ser perfeito.

O Channel 4 decretou o fim do Big Brother na TV inglesa, que exibe a décima edição (na foto acima a descoladíssima poltrona do confessionário). Por aqui já foram acionadas as turbinas do BBB 10, com estréia em janeiro. A Globo tem contrato para produzir mais umas 3 ou 4 edições. Será que o reality sobrevive até lá?
Já imaginou uma edição especial exclusivamente com ex-participantes? Os campeões das primeiras 9 edições (Kleber Bambam, Rodrigo Cowboy, Dhomini, Cida Babá, Jean Wyllys, Mara, Diego Alemão, Rafinha e Max) teriam chance de vencer novamente? Ou seria a vez dos reis da popularidade, como Grazi Massafera (ela jamais aceitaria voltar ao BBB, né?), Sabrina Sato (creio que a Japa não participaria nem por 1 milhão, não acha?), Íris Stefanelli (é improvável que ressurgisse no confinamento, concorda?) ou Gyselle Cajuína (ah, eu acho que ela topava voltar para a casa do BBB)?

Briguinha boboca essa da Xuxa com os twiteiros, não? Depois a loura reclama de ser rotulada de infantilóide. Eu entendo que uma mãe se enfureça contra críticas ao filho (ainda que seja uma crítica inofensiva, relacionada a um erro gramatical). Mas duas atitudes dela revelam, pela enésima vez, o quanto vive num mundo paralelo e absurdamente fantasioso: "explicar" o erro (para quem não acompanhou a polêmica, Sasha escreveu no Twitter "sena" ao invés de "cena" e foi caçoada em várias mensagens) dizendo que a menina havia sido alfabetizada em inglês (o cúmulo da arrogância vazia, já que a garota é filha de brasileiros, nasceu no Brasil, mora no Brasil e tem como primeira língua o bom e velho português tupiniquim) e depois tascar aquele "Fui, vocês não merecem falar comigo nem com o meu anjo", um comportamento tão descabido quanto insolente. Se Xuxa não quer ser criticada e ironizada, é melhor se manter encastelada, protegida do território virtual, onde cada um faz a própria lei e todos são alvo fácil. Sugiro reforço de aulas de português para Sasha e um intensivão de como levar a vida na esportiva para Xuxa. Irritar-se por tão pouco faz mal à saúde.

Eu e a atriz (e ex-jornalista da Folha de S. Paulo) Érica Knapp durante ensaio da peça MARILYN. Estamos na fase de captação de recursos para realizar pré-estréia em setembro e entrar em cartaz em outubro. Todo apoio é bem-vindo!
Foto: Bruno Leite.
Você já falou mal de alguém? Claro que já! Provavelmente fala todo santo dia. É incontrolável! E criticar os serviços de alguma empresa? De um hotel, por exemplo? Já fez, né? Pois isso “rendeu” um processo e muito $$$ ao diretor de teatro Gerald Thomas. O relato do que aconteceu é impressionante e ressalta as armadilhas da indústria dos processos por danos materiais e morais. Hoje em dia se processa por qualquer coisa... É um direito e, ao mesmo tempo, um incentivo a quem quer ganhar dinheiro fácil. Confira no blog da “vítima”: http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/
Nota da coluna de Lauro Jardim na VEJA que circula neste fim de semana:
LULA DÁ O TOQUE
Lula lança em setembro no ABC paulista uma campanha do Ministério da Saúde para que o brasileiro quebre o preconceito e faça o exame proctológico periodicamente. Será sua estreia como garoto-propaganda do exame, mas não será a primeira vez que Lula toca no assunto. No ano passado, numa visita a um hospital, chegou a dizer com sua proverbial sem-cerimônia: "O homem tem a maldita mania de achar que ninguém pode botar a mão nele. É todo machão, mas quando ele tem 50 anos e pega um câncer de próstata... Gente, nada substitui o toque".
Os cegos também sentem inveja
Vêem além do óbvio
Cobiçam detalhes invisíveis a quem enxerga
Lamento não ter nascido cego
Poderia ver tudo a meu modo
Sem a feiúra imposta pela consciência
Sorte de quem enxerga pouco
E daqueles que nunca precisaram abrir os olhos
(Do meu livro Fama Ordinária)
Estive hoje no Bom Retiro. Não fui às compras, tinha reuniões de trabalho lá. É impressionante a qualidade visual das vitrines e a quantidade de gente (e dinheiro) circulante por ali. Há moda para todos os gostos e bolsos. Não é à toa que muitas grifes badaladas (e caríssimas) do circuito Jardins-Itaim-Moema-Vila Nova Conceição recorrem às confecções daquela região — ou simplesmente compram roupas nas lojas, trocam a etiqueta e cobram dez vezes mais. O Bom Retiro não tem o glamour de passarelas de moda como a rua Oscar Freire e os shoppings. Mas deve ser o bairro com a maior concentração de milionários (a maioria, coreanos) por metro quadrado.

Como diria o linguarudo Brüno: Hellooow! A foto da capa é bonita, o casal tem apelo de venda, mas a manchete é tão "notícia do ano passado". Custava destacar uma informação nova? Tipo "Queremos mais um filho", "Planejamos adorar um bebê"... No meu tempo de repórter de revista semanal (Contigo!), o diretor de redação exigia capas quentes, furos, grandes reportagens. Hoje as publicações especializadas em celebridades estão muito mornas, manchetes cor-de-rosa, sem polêmica, sem trabalho árduo de apuração jornalística. Tudo muito previsível. Não digo que seja necessário extrapolar, como os tablóides britânicos, mas oferecer ao leitor matérias melhor construídas, se aprofundar nos assuntos.